Sob suspeita


Apresentado pedido de CPI para investigar falhas no tratamento de câncer pelo SUS

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Tucano protocolou requerimento nesta quarta. Segundo ele, 49% das pessoas que procuram o SUS para tratar o câncer não conseguem atendimento na rede pública.

O deputado Fábio Sousa (GO) protocolou nesta quarta-feira (31) pedido de criação de CPI para investigar denúncias e supostas irregularidades envolvendo o tratamento de câncer no Sistema Único de Saúde (SUS). O documento  tem 30 assinaturas de tucanos, do total de 184 consideradas válidas. Segundo Sousa, 49% das pessoas que procuram o SUS para tratar o câncer não conseguem atendimento.

“Assusta saber que os brasileiros afligidos por essa grave doença não conseguem nem sequer fazer exames e dar início ao tratamento”, disse ele, em discurso da tribuna da Câmara. Sousa alerta que a prevenção e detecção precoce representam chances de cura. “Quanto mais cedo tiver início o tratamento para o câncer, maiores são as chances de sobrevivência do paciente”, disse.

De acordo com o deputado, os dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) mostram que em 2013 foram registradas quase 190 mil mortes em decorrência do câncer no Brasil. É a segunda causa de morte no país e, além disso, o Inca estimou para o biênio 2016–2017 cerca de 600 mil novos casos.

O parlamentar ressalta que os números mostram com clareza que a legislação referente à temática não vem sendo cumprida. A CPI proposta deverá investigar a aplicação da legislação vigente e também outras possíveis irregularidades alvos de 13 denúncias, entre elas: desvio de verbas, má aplicação das verbas existentes, falta de fiscalização das autoridades competentes, descaso do poder público, falta de manutenção dos equipamentos, falta de remédios, dentre outros.

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“A população que sofre não pode continuar à mercê dessa situação, sem tratamento no Sistema Único de Saúde para uma doença tão grave”. Em sua justificativa, ele cita reportagens e denúncias da população com relação às irregularidades, falhas e não cumprimento de normas no tratamento do câncer pelo SUS. “São fatos que entristecem os brasileiros e que devem ser investigados pela Comissão Parlamentar de Inquérito”, destaca.

Fábio Sousa chama a atenção para o contraste de realidades no Brasil. Quem tem dinheiro se trata nos melhores hospitais e tem chance de recuperação. Quem não tem, precisa esperar meses até o início do tratamento no SUS e corre mais riscos.

APARELHOS SEM MANUTENÇÃO
Os problemas se espalham em todo o país. Faltam aparelhos de radioterapia em hospitais públicos e remédios para as sessões. “Temos menos da metade dos aparelhos de radioterapia recomendados pela Organização Mundial da Saúde para atender os pacientes com câncer”, argumenta. Outros aparelhos estão velhos e não recebem manutenção.

No início deste ano, a Santa Casa de Sorocaba (SP) suspendeu o tratamento de quimioterapia. Em Pernambuco, Ceará, Belo Horizonte e Distrito Federal, entre outros estados, os problemas se repetem.

Fábio Sousa destaca a entrevista do diretor da Sociedade Brasileira de Radioterapia, Marcus Castilho, ao jornal O Tempo: “Estamos em um momento que, se nada for feito de forma emergencial, aparelhos vão quebrar e não serão mais consertados por falta de recursos. O setor entrará em colapso. Já aconteceu isso […] com a Santa Casa e está acontecendo no Brasil.”

O Hospital Universitário Oswaldo Cruz, em Recife, adquiriu há dez anos três equipamentos de radioterapia que nunca entraram em funcionamento. Com tamanha demora, os aparelhos precisarão de novos programas para funcionar. O Distrito Federal também não está imune: em sete meses, a fila de pacientes para o tratamento de radioterapia cresceu 71,4%. Mais de mil pessoas aguardam para fazer sessões no DF.

(Ana Maria Mejia/ Foto: Alexssandro Loyola/ Áudio: Hélio Ricardo)

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31 maio, 2017 Últimas notícias Sem commentários »

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